Fui o primeiro a entrevistá-la: "Teremos Sempre Londres"

26.7.13

Sofia Costa Lima, acabou de lançar, no corrente mês o seu primeiro livro: "Teremos Sempre Londres". Viciada na leitura por, em parte, culpa da mãe, diz-se feliz por ter conseguido ganhar um pouco da força que precisava para poder escrever o seu primeiro livro. Adora romances e diz que um próximo livro poderá ser editado. É a prova de que o talento poderá nascer connosco, mas que, tem de ser limado até aos últimos pormenores. Perfeccionista, assim se define.

Olá Sofia! Então, pronta para a minha entrevista?
R: Olá Miguel! Mais do que pronta!

Como surgiu este gosto pela leitura e pela escrita?
R: Desde muito pequenina que a minha mãe lia para mim. Ela fartava-se de me ler as histórias da Rua Sésamo e depois, quando eu comecei a crescer, ela comprava-me livros da coleção de "Uma Aventura" e eu fui ganhando o gosto por ler mas nunca fui muito de escrever, apesar de sempre ter gostado de imaginar histórias. Acho que comecei a gostar mais de escrever aos 11, 12 anos porque foi também quando comecei a escrever mais num diário e então percebi que quando escrevia parecia que tudo ficava melhor. Foi mais ou menos quando surgiu o gosto pela escrita.

Podemos então dizer que tudo isto adveio do facto de a tua mãe ter uma presença muito grande na tua cultura literária, mesmo que em pequena...
R: Sim, verdade. Acho que se a minha mãe não gostasse tanto de me ler, provavelmente eu não teria começado a querer ler sozinha.

E essa ideia do diário, fez com que também conseguisses ganhar um pouco mais de autonomia. Estou certo?
R: Estás, sim. Apesar de ser um diário que parecia mais "semanário" porque eu quase que só escrevia de semana a semana!

Mas nessas histórias, limitavas-te a contar os acontecimentos, ou já contavas de uma forma mais elaborada e a fugir para um conto?
R: Contava sempre com o máximo de detalhes possível. Gostava de ter coisas elaboradas. Até o mais pequeno detalhe tinha de ser pensado e descrito.

Depois disso, e passados os teus 11, 12 anos, tinhas alguma vez pensado em escrever um livro?
R: Tinha. Conseguir escrever e publicar um livro é algo que eu quero desde essa altura mas faltava-me a coragem e a força para o fazer.

Pensavas sempre no "Oh que ideia ridícula"?! E o Blog, surge como escape ao diário?
R: Pensava sempre isso, sim. E também pensava que não iria conseguir porque achava que ia ser gozada ou algo do género, e, confesso, preocupava-me demasiado com o que iam pensar. O blog surge como escape ao diário e como tentativa de partilhar os meus problemas com alguém, porque eu não tinha muitos amigos em quem sentisse que podia confiar mesmo.

Mas não podendo confiar nos amigos, confiavas em alguém que lia todos os teus problemas e que, através das entrelinhas, te pudesse ler a ti. Não te assustava o facto de pessoas desconhecidas ficarem a conhecer as tuas fragilidades?
R: Quando criei o blog acho que fui um bocado imprudente e não pensei muito nisso mas também não partilhava assim tanto da minha vida porque também não conseguia "abrir-me" logo assim. Mas, ao mesmo tempo, pensava que talvez fosse mais fácil se não me conhecessem porque como o blog no início era anónimo também não sabiam de quem se tratava e assim era mais fácil eu conseguir desabafar tudo mais à vontade.

De qualquer das formas, isso permitiu que ganhasses muito mais arcaboiço porque, ao fim ao cabo, estavas a treinar a tua forma de escrever... Ainda em relação à tua forma de escrever, como a classificas?
R: Sim, também deu para evoluir na forma como escrevo. Eu acho que não escrevo mal e até escrevo um bocadinho bem mas acho sempre que tenho muito a melhorar e, muitas vezes, não gosto de ler o que escrevo.

És perfecionista, daí não gostares do que escreves. Afinal, quando é que tiveste o clique do "eu vou escrever um livro, sem pensar no que os outros vão pensar"?!
R: Acho que foi algo dividido em duas partes. A primeira foi há 3 anos, quando comecei a escrever a história que se transformou neste livro. Entretanto terminei-a e guardei-a porque não a considerava boa o suficiente. A segunda parte foi em janeiro deste ano, quando tive um empurrão enorme de alguém muito importante para mim. Andava a pensar há alguns dias em tentar publicar o livro e falei com ele e ele apoiou-me logo, sem hesitar, e foi quando eu comecei a trabalhar a sério neste livro.

E manteve-se original, ou alteraste algumas coisas?
R: Alterei muitas coisas! E não alterei mais porque houve um momento em que pensei "se continuo a alterar tudo quanto leio nunca mais saio deste ponto" e então assim que revi tudo, enviei para a editora sem pensar mais no que devia acrescentar ou tirar.

Queres explicar todos os processos desde o envio até à edição?
R: Então foi assim, eu pesquisei várias editoras e a Chiado foi a que explicava melhor como fazia para enviar uma obra original para lá. Enviei então um e-mail para lá com a história em anexo, explicando que queria avaliar a possibilidade de publicar a tal história. Responderam-me no dia seguinte dizendo que a obra iria ser lida e analisada e que, em 10 dias, receberia uma resposta definitiva. Eu nem esperei 10 dias, foi menos, e recebi um e-mail da editora a sugerir um contrato de edição. Na altura em falei com um outro autor da mesma editora para tirar todas as dúvidas e decidi então marcar reunião com a editora para assinar o contrato. Enquanto isso, pediram-me para ler e rever a obra, corrigir erros e tudo o mais. Depois assinei contrato e comecei a tratar dos pormenores do livro, como a capa, texto da contracapa, a minha biografia...isto tudo demorou cerca de 2 semanas. Não foi muito porque eu já tinha ideias concretas para o que queria na capa e tudo.

E em relação aos custos? Fazem também parte do contrato?
R: Sim, fazem.

Mas tiveste que desembolsar alguma quantia?
R: Sim, tive de comprar, por obrigação de contrato, 150 exemplares do meu livro a um preço mais baixo do que o preço de venda. Mas esse custo quase que nem se faz sentir porque o dinheiro que eu ganho da venda destes 150 exemplares fica todo para mim, ou seja, cobre os gastos e ainda dá para um pequeno lucro.

Bem, sendo assim, isso é ótimo!! Porquê o título "Teremos Sempre Londres?"
R: Ora temos aí um problema. Eu não posso explicar o título porque exige que leiam o livro todo para perceberem o título!

(risos) O segredo é sempre a alma do negócio. Depois de estar tudo preparado, chegou o ansiado e sonhado dia da apresentação? Como foi?
R: Verdade! Aiii, a apresentação foi...bem, eu estava muitíssimo nervosa e notava-se imenso mas acho que correu bastante bem tendo em conta a crise nervosa em que eu estava (risos), não foi muito "maçuda" e estava bastante gente presente, eu diria que cerca de 100 pessoas ou talvez mais algumas.

Contavas assim com tanta gente ou tu própria foste surpreendida com tanta adesão?
R: Fui surpreendida, sem dúvida. Houve pessoas que foram e eu não esperava que lá estivessem. E, muito sinceramente, tendo em conta o tamanho do auditório pensava que iria ter lá umas cinquenta, sessenta pessoas. Até imaginava aquilo quase vazio! (risos)

(risos) Vi, através do facebook, que houve coisas a correr mal. Queres contar o que se passou?
R: O que correu mal não foi apresentação propriamente dita, foi antes. Houve um atraso na entrega dos livros e só os recebi umas horas antes da apresentação, o que me estava a provocar ainda mais nervos! Depois também houve umas pequenas demonstrações de inveja que custaram um bocadinho a assistir. Na apresentação o pior foi mesmo estar tão nervosa e acho que atropelei algumas palavras do meu discurso (risos) mas o resto foi bom, pelo menos é o que me dizem.

Inveja é um sentimento tão mau mas que, ainda assim, as pessoas tendem a ter. Quando se tem sucesso é assim! E por falar em sucesso, para quando o próximo livro?
R: Estou a tratar disso e até vai bastante avançado. Está quase terminado, a parte difícil agora tem sido dividir os capítulos e terminar mesmo o livro porque estou a gostar tanto de escrever que não quero parar! (risos)

(risos) A ideia é precisamente essa. Continuar e nunca deixar que a falta de criatividade se apodere de nós. Vai ser um romance?
R: Mais ou menos. Fala de amor, que é aquilo que eu tenho mais jeito para falar, mas é mais um conjunto de cartas de amor.

Em género de diário?
R: Mais ou menos, tento intercalar cartas do passado com observações do presente.

Avizinha-se mais um êxito... Se assim for, a editora será a mesma?
R: Em princípio sim. Eu ainda não lhes apresentei esta versão mas penso fazê-lo quando terminar.

Ficaste satisfeita com todo o processo, então..
R: Gostei de trabalhar com esta editora, sim. E também porque apostaram em mim e eu valorizo isso.

Isso é fundamental. E não foram só eles que acreditaram, disso tenho a certeza. E em relação ao futuro, o que te imaginas realmente a fazer?
R: Escrever! (risos) Muito sinceramente eu não tenho pensado muito num futuro a longo prazo mas sim num futuro mais próximo. Eu quero, para já, é conseguir entrar na universidade! Depois logo vejo.

E já concorreste?
R: Já...mas ainda não sei se não vou mudar qualquer coisa. (risos)

(risos) O que é certo é que deve estar total e completamente relacionado com literatura.
R: Por acaso uma das opções não tem nada a ver (risos) mas escolhi algo de que gosto. Se fosse rica ia para uma universidade privada onde houvesse mesmo um curso de escrita criativa mas pronto, não se pode ter tudo. (risos)

Tudo vem com o tempo e tu és a prova disso. Bem Sofia, agradeço imenso o teu tempo disponibilizado e toda a entrevista. Espero que tenhas gostado tanto quanto eu. Tu és, de certo, uma exemplo a seguir.
R: Eu é que agradeço a entrevista, foi muito bom. Quanto a ser um exemplo, não exageres (risos).

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7 Pieces

  1. Brutal, brutal :D
    Muito obrigada pela entrevista, adoreeeiiii!!!!

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    Respostas
    1. Modéstia à parte, creio que ficou mesmo fenomenal :DD
      Obrigado eu *

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  2. Selecionei-te para um selo no meu blog, passa lá e vê :]
    http://customized-people.blogspot.pt/2013/07/versatile-blogger.html

    ResponderEliminar
  3. Identifico-me com algumas coisas no teu blog, nomeadamente a forma como conduzes algumas entrevistas. Muito provavelmente não conheces o meu blog, mas eu também as faço. Segui!

    http://oburguessocial.blogspot.pt

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    Respostas
    1. Olá César :)
      Esta foi a primeira entrevista que fiz mas que me deu muito gosto fazer. Realmente não conhecia o teu blog mas, do que já vi, selecciono-o como um dos melhores. Pelos temas, pela qualidade da escrita. Vale mesmo a pena.
      Acabei de seguir-te de volta e fiz pedido no facebook :)Obrigado!

      Eliminar

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